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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Costumes - alimentação árabe.

   Os hábitos alimentares dos muçulmanos são restritos pelas leis do Alcorão: a bebida alcoólica não é permitida, assim como a carne de porco pois ele é um considerado um animal impuro. Desta forma o consumo de carne de carneiro é predominante entre eles.
                    Durante as comemorações religiosas, como o Ramadã, o jejum é rigoroso e até mais longo do que o dos judeus. Não se pode comer e beber durante o dia. As refeições noturnas, então, são um banquete. Já os árabes cristãos seguem hábitos alimentares ocidentais, sem restrições.
Entre os árabes é costume se servirem de um café da manhã farto, que inclui pão com ovos, frutos e vegetais frescos, mel, nozes ou iogurte.
                     As refeições são verdadeiros rituais, demoram-se a mesa, que apresenta uma grande variedade de pratos servidos em pequenas porções. São os mezzés, ou antepastos árabes, sempre acompanhados de pão pita e áraque, bebida típica à base de anis. Em seguida vem os doces e por fim café árabe ou chá preto com hortelã.
                  Adoram receber, em todos os lares enquanto a mesa estiver posta, as portas das casas permanecem abertas. Todos que chegam são convidados a se sentar. Segundo a tradição a mesa deve conter ao menos o dobro da quantidade de iguarias suficientes para alimentar os convidados. Esses, por sua vez, devem comer mais do que o habitual para demonstrar satisfação e agradecer a hospitalidade.


            A região do oriente médio foi o berço a civilização, os grandes impérios que dominaram essa região, o persa (539-331 a.C.), o árabe (630-1258) e o otomano (1281-1918), foram responsáveis pela formação da cultura árabe, e isso se reflete também na culinária e nos hábitos alimentares, as primeiras tradições culinárias nasceram ali, há mais de 12 mil anos.
                  Entre os rios Tigre e o Eufrates, no atual Iraque, os homens passaram a cultivar trigo, cevada, pistache, nozes, romãs e figos que floresciam ao lado dos rebanhos de carneiro e de cabras. Pela primeira vez misturaram ingredientes diferentes e fizeram o pão, que nasceu chato e redondo.
Em um período posterior, entre os anos 3000 a.C. e 300 a.C, quando os fenícios povoaram a região do Líbano, surgiu o hábito de cobrir o pão com carne e cebola. Nascia a esfiha. Por volta de 500 a.C., os persas, antigos habitantes do Irã, trouxeram ingredientes mais complexos, como arroz, pato, amêndoas e frutos frescos, e muitas especiarias: cominho, cardamomo, coentro, feno-grego, cúrcuma e gengibre. Os sultões do Império Otomano acrescentaram as massas ensopadas com mel e recheadas com nozes e amêndoas moídas, bem como o café forte e adoçado. Carne de carneiro assada ou frita na manteiga ou no óleo era bastante apreciado nos palácios, assim como os miúdos macerados e mergulhados em uma mistura de leite azedo e especiarias.
               Com o fim das invasões, as diversas culinárias da região mesclaram-se em uma cozinha que cultivou respeito por suas tradições.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

MAQUIAGEM ÁRABE

                                        Essa maquiagem é muito linda !
                                       Além de ser linda, está em alta.
                               a maioria das atrizes estão usando essas maquiagens.
                               então isso influência muito as pessoas usarem.

Governo afegão quer acabar com abrigos para mulheres

 

S. Sabawoon/EFE - 18.set.2010
Mulher afegã mostra o dedo com tinta após votar nas eleições parlamentares em Cabul
Após os seus pais a terem expulsado de casa por ela ter se recusado a casar com um viúvo de 52 anos de idade, pai de cinco crianças, Sabra, 18, embarcou em um ônibus que a deixou, com medo e confusa, no centro de Cabul. Sabra dormiu em uma mesquita durante alguns dias, comendo muito pouco, até que uma mulher apiedou-se dela e a colocou em contato com funcionários de uma organização de direitos humanos, que a conduziram a um abrigo de mulheres.

Essa jornada – que por si só já é aterrorizante para uma jovem que jamais se aventurou para além da mercearia da esquina – vai se tornar ainda mais penosa segundo as novas regras que estão sendo elaboradas pelo governo afegão, e que, segundo os defensores dos direitos das mulheres, impedirão que as mulheres e meninas mais vulneráveis busquem refúgio e estão fechando o cerco sob os abrigos.

As novas regras são fruto das suspeitas que ainda são geradas pelos abrigos de mulheres nesta sociedade profundamente conservadora, onde essas instituições passaram a simbolizar o choque entre os valores modernos e o modo de vida tradicional afegão. Muitos acreditam que a existência desses abrigos, na melhor das hipóteses, encoraja as meninas a fugirem de casa e que, na pior das hipóteses eles se constituem em uma rota para as casas de prostituição.

As mudanças na lei exigiriam que uma mulher como Sabra justificasse a sua fuga perante um comitê governamental formado por oito membros, que determinaria se ela teria necessidade de ir para um abrigo, se deveria ser presa ou voltar para casa, onde correria o risco de ser espancada ou até mesmo assassinada. Ela teria que se submeter a um exame físico que poderia incluir um teste de virgindade.

Embora algumas pessoas acreditem que o governo possa suavizar as regras antes da aprovação final, os defensores dos direitos das mulheres veem essa iniciativa como um exemplo de como o governo cede às pressões de elementos conservadores sob o aspecto religioso e social, no momento em que o governo do presidente Hamid Karzai dá início a tentativas de reconciliação com os insurgentes. Eles temem que os direitos das mulheres venham a se constituir na primeira área na qual o governo cederá aos conservadores.

“Eu não sei ao certo por que eles estão fazendo isso – talvez porque o governo esteja se tornando mais conservador e deseje agradar o Taleban”, opina Manizha Naderi, diretora da organização Women for Afghan Women, que administra três abrigos e cinco centros de aconselhamento familiar distribuídos pelo país.

“A violência doméstica é cultural. Demora tempo para mudar esse quadro, mas ele um dia mudará. Enquanto isso as mulheres necessitam de um local seguro quando são vítimas da violência”, diz Naderi.

Uma década atrás, abrigos para mulheres vítimas de abusos sequer existiam no Afeganistão, onde até hoje muitas das piores práticas associada à era do Taleban, como os casamentos encomendados para noivas ainda crianças, os chicoteamentos em público e a mutilação de mulheres, continuam ocorrendo nas áreas rurais.

Atualmente, existem cerca de 14 abrigos para mulheres, financiados por um conjunto de organizações internacionais, doadores privados e governos ocidentais. As novas regras, estabelecidas pelo Ministério de Questões das Mulheres, colocaria esses abrigos sob o controle direto do governo.

As regras alarmaram os defensores dos direitos das mulheres, que dizem temer que um comitê nomeado pelo governo não seja capaz de fazer frente às pressões de mediadores ou outras pessoas que desejem que as suas filhas sejam mandadas de volta para casa, para que sejam punidas segundo os costumes afegãos. Até mesmo o fato de uma mulher fugir de um casamento marcado por abusos é considerado uma vergonha para a família dela.

“Em diversas ocasiões, eu enfrentei dificuldades provocadas pelo governador distrital que apoiava a família da mulher, e não a mulher”, conta Soraya Pakzad, que administra abrigos nas províncias de Herat e Badghis. “Se o pai da mulher for um ex-comandante e o juiz for um amigo dele e disser que a mulher tem que voltar para casa, nós podemos levantar a voz, mas eu temo que o Departamento de Questões das Mulheres não terá a coragem necessária para isso”.

Os diretores de abrigos dizem que estão dispostos a submeterem-se a uma fiscalização minuciosa por parte do governo e que estão prontos a aderir às exigência do governo relativas a procedimentos operacionais. No entanto, a administração de abrigos não é algo para o qual o Ministério das Questões das Mulheres possua o orçamento, os funcionários ou a experiência que se fazem necessários, segundo a Comissão Afegã Independente de Direitos Humanos e os diretores dos abrigos.

“O ministério não é capaz sequer de encontrar funcionários para os seus departamentos em algumas províncias. Sendo assim, como é que eles vão encontrar pessoal para desempenhar essa tarefa mais sensível de administrar os abrigos?”, questiona Soraya Sobhrang, integrante da comissão de direitos humanos, que se concentra nas questões da mulher.

O Ministério das Questões das Mulheres já enfrentou muitas dificuldades para recrutar mulheres para trabalharem nos seus escritórios provinciais nas regiões sul e leste do país, onde a maioria étnica é pashtun, e onde a insurgência continua forte. Os diretores locais enfrentam frequentemente ameaças e tentativas de assassinato.

A evolução das novas regras teve início em 2009, quando Karzai criou uma comissão liderada por uma figura religiosa importante, o mulá Nematullah Shahrani, para fiscalizar os abrigos e preparar um relatório.

Autoridades graduadas do Ministério de Questões das Mulheres insistem que as novas regras estão sendo criadas para o bem estar das mulheres e que não existe nenhuma intenção de controlar os abrigos existentes. Uma cópia das regras, obtida pelo “New York Times”, deixa claro, no entanto, que as organizações não governamentais não administraria mais esses abrigos.

“Nós desejamos ter centros nos quais as mulheres sintam-se seguras e livres das tensões, e onde possam buscar ajuda”, diz Fawzia Amina, diretora de questões jurídicas do ministério, que participou da redação das regras.
“Não queremos controlar os abrigos administrados pelas organizações não governamentais e outros indivíduos”, disse ela, acrescentando. “Quemos ter os nossos próprios abrigos ao lado daqueles abrigos já existentes”.

No entanto, o Gabinete Afegão parece ter baixado uma ordem clara no sentido de que todos os abrigos sejam controlados pelo governo, segundo pessoas próximas ao núcleo de poder do país. Isso poderia talvez ser um reflexo da sensibilidade generalizada em relação à questão dos abrigos por parte de muitos integrantes do governo e do parlamento, que ressentem-se particularmente do fato de essas instituições lembrarem à população o quanto ainda falta para que o Afeganistão combata de fato o problema da violência contra as mulheres.

Um caso ilustrativo envolve a ministra do Trabalho, Questões Sociais, Mártires e Deficientes, Amina Afzali, uma integrante do comitê que visitou os abrigos do país. Em uma entrevista, ela concordou que havia casos em que as mulheres necessitavam de proteção, mas não gostou do fato de os abrigos discutirem abertamente os abusos cometidos.

Afzali afirmou que um fato particularmente irritante foi a publicidade quanto ao caso de Bibi Aisha, uma noiva adolescente cujo nariz foi amputado pelo marido quando ela tentou fugir de casa. Ela foi fotografada pela revista “Time”, que a colocou na capa de uma edição do ano passado, quando ela se encontrava em um abrigo administrado pela Women for Afghan Women.

“Esse tipo de publicidade nos humilha perante o mundo”, reclamou Afzali. “Atualmente o Afeganistão está sob as lentes de um microscópio, mas se outros países fossem escrutinados como estão fazendo com o Afeganistão, eles também apresentariam casos tão excepcionais como o de Bibi Aisha”.

Alguns membros conservadores do parlamento gostariam que os abrigos fossem inteiramente fechados. Hajji Neyaz Mohammed, um advogado da província de Ghazni, condena duramente os abrigos de mulheres, classificando-os de “locais oficiais para o aumento da perversão no nosso país”.

“Esses abrigos criam problemas em famílias e residências, e eles encorajam as meninas a fugirem de suas casas”, afirma Mohammed. “Em 90% dos casos nos quais as mulheres retornarem dos abrigos para as suas vilas, elas não serão mais aceitas pela comunidade e serão suspeitas de terem cometido adultério”.

AS REGRAS DA MULHER AFEGÃ



Algumas das principais regras que a mulher afegã tem de obedecer durante o regime da milícia islâmica talibã:
1. É absolutamente proibido às mulheres qualquer tipo de trabalho fora de casa, incluindo professoras, médicas, enfermeiras, engenheiras, etc.
2. É proibido às mulheres andar nas ruas sem a companhia de um “nmahram” (pai, irmão ou marido).
3. É proibido falar com vendedores homens.
4. É proibido ser tratada por médicos homens, mesmo que em risco de vida.
5. É proibido o estudo em escolas, universidades ou qualquer outra instituição educacional.
6. É obrigatório o uso do véu completo (“burca”) que cobre a mulher dos pés à cabeça.
7. É permitido chicotear, bater ou agredir verbalmente as mulheres que não usarem as roupas adequadas (“burca”) ou que desobedeçam a uma ordem talibã.
8. É permitido chicotear mulheres em público se não estiverem com os calcanhares cobertos.
9. É permitido atirar pedras publicamente a mulheres que tenham tido sexo fora do casamento, ou que sejam suspeitas de tal.
10. É proibido qualquer tipo de maquilhagem (foram cortados os dedos a muitas mulheres por pintarem as unhas).
11. É proibido falar ou apertar as mãos de estranhos.
12. É proibido à mulher rir alto (nenhum estranho pode sequer ouvir a voz da mulher).
13. É proibido usar saltos altos que possam produzir sons enquanto andam, já que é proibido a qualquer homem ouvir os passos de uma mulher.
14. A mulher não pode usar táxi sem a companhia de um “mahram”.
15. É proibida a presença de mulheres em rádios, televisão ou qualquer outro meio de comunicação.
16. É proibido às mulheres qualquer tipo de desporto ou mesmo entrar em clubes e locais desportivos.
17. É proibido andar de bicicleta ou motocicleta, mesmo com seus “maharams”.
18. É proibido o uso de roupas que sejam coloridas, ou seja, “que tenham cores sexualmente atraentes”.
19. . Os transportes públicos são divididos em dois tipos, para homens e mulheres. Os dois não podem viajar no mesmo.
20. É proibida a participação de mulheres em festividades.
21. É proibido o uso de calças compridas mesmo debaixo do véu.
22. As mulheres estão proibidas de lavar roupas nos rios ou locais públicos.
23. . As mulheres não se podem deixar fotografar ou filmar.
24. Todos os lugares com a palavra “mulher” devem ser mudados, por exemplo : O Jardim da Mulher deve passar a chamar Jardim da Primavera.
25. Fotografias de mulheres não podem ser impressas em jornais, livros ou revistas ou penduradas em casas e lojas.
26. As mulheres são proibidas de aparecer nas varandas das suas casas.
27. O testemunho de uma mulher vale metade do testemunho masculino.
28. Todas as janelas devem ser pintadas de modo a que as mulheres não sejam vistas dentro de casa por quem estiver fora.
29. É proibido às mulheres cantar.
30. É proibido a homens e mulheres ouvir música.
31. Os alfaiates são proibidos de costurar roupas para mulheres.
32. É completamente proibido assistir a filmes, televisão, ou vídeo.
33. As mulheres são proibidas de usar as casas-de-banho públicas (a maioria não as tem em casa).

A Mulher no Mundo Muçulmano

Clube de História 7, Porto Editora


"A mulher ocupa uma posição de inferioridade na sociedade muçulmana. Quando falamos na mulher muçulmana, dois símbolos logo nos ocorrem: o harém e o véu. Estes sinais distintivos das mulheres muçulmanas sugerem a sua subordinação ao homem, apesar da igualdade espiritual das mulheres estar expressa no Corão: "...e os homens que se lembram constantemente de Deus, tal como as mulheres que o fazem, para todos eles Deus preparou o perdão e uma enorme recompensa" (33:35)
A subordinação da mulher é demonstrada e justificada pela lei, costumes e tradições da Civilização Muçulmana, dizendo mesmo que há apenas um reconhecimento dos diferentes papéis dos dois sexos e não uma inferioridade efectiva.
Assim, as marcas jurídicas da inferioridade da mulher são as seguintes:
- a mulher só pode ter um marido, ao contrário do homem, que pode ter quatro mulheres ao mesmo tempo;
- a mulher só pode casar com um muçulmano, ao contrário do homem, que pode casar com uma mulher de outra religião;
- a mulher apenas pode pedir o divórcio em casos extremos, ficando a custódia dos seus filhos para o pai, e o testemunho do homem tem o dobro do valor do da mulher;
- a herança da mulher é duas vezes inferior à do homem.
- A maioria das mulheres vive na reclusão, poucas foram as que tiveram papéis activos em questões públicas, embora actualmente haja uma crescente liberalização do papel das mulheres fora de casa que começou sob a influência ocidental. Em alguns países, porém, verifica-se um retrocesso aos valores islãmicos, através do fundamentalismo islãmico."
A mulher árabe tem uma prática de vida completamente diferente da mulher ocidental, tendo de obedecer a regras muito estritas. No entanto, a forma de viver das mulheres não é igual em todo o mundo árabe. Em alguns países árabes as mulheres vivem enjauladas e maltratadas e noutros alcançaram a sua emancipação.
Apresentámos aqui dois exemplos contrastantes: a mulher afegã em que a “desobediência equivale à morte” e a mulher do Sara emancipada.
Fonte: Revista Notícias Magazine, 21 de Outubro de 2001.

“ Mulheres do Sara – árabes e emancipadas”


No deserto, na Argélia, elas mostram como o Islão não tem que prender as mulheres. Quando os homens partiram para a guerra, elas construíram campos, hoje quase cidades e tomaram conta da saúde, cultura, desporto, milícias, educação. "Só havia mulheres, nada mais". Quando eles regressaram respeitaram a liberdade delas. Vivem numa luta há 25 anos, trabalham, cuidam dos filhos e da casa, transportam água, são enfermeiras, professoras e deputadas, ministras. E sabem rir.
Há 25 anos Espanha assinava um acordo, deixando o Sara Ocidental, uma antiga colónia, nas mãos de Marrocos, que rapidamente ocupou as terras através do que ficou conhecido como a “marcha verde”. Muitos sarauis foram obrigados a deixar as suas casas, próximo do mar. E fogem pelo deserto até Tindouf, na Argélia (...). Próximo de Tindouf, as mulheres começam a construir os acampamentos de refugiados, que hoje quase parecem cidades, enquanto os homens vão para a frente lutar. (...)
“ Enquanto os homens estavam na frente a lutar, as mulheres ficaram à frete de tudo: da saúde, cultura, desporto, milícias, educação... só havia mulheres, nada mais.” Explica-nos Magbula Hafdala Ali, uma jovem de 26 anos (...). São também estas mulheres que cuidam da casa, dos filhos, transportam a água e os cereais que chegam das ajudas humanitárias. (...)
“ A primeira imagem que se tem da mulher árabe é a da mulher do Afeganistão”, afirma a ministra da cultura do Sara Ocidental, Mariam Hmada. Mas no deserto do Sara encontram-se estas mulheres árabes que iniciaram a sua emancipação há 25 anos por causa de uma guerra. Hoje as mulheres sarauis já alcançaram muitas liberdades que são vistas como um privilégio pelas outras mulheres árabes (...)”.
“ Em quase todos os países árabes, a mulher não pode viajar sozinha, tem de viajar com o marido ou com uma pessoa, como se fosse uma mochila”, salienta Mariam Hmada, que chegou à entrevista que tínhamos marcada ao volante do seu próprio jipe. Uma grande parte das jovens sarauis vão estudar no estrangeiro, a Cuba, Espanha, Líbia ou Rússia, por exemplo. Em 1975, na União Nacional de Mulheres Sarauis havia apenas uma mulher com estudos, hoje são 80 %. (...)
“ Em muitos países árabes a mulher não pode votar, e se não pode votar não pode ser candidata”, refere Mariam Hmada. No Sara existem sete deputadas para cinquenta e um deputados e para apresentar uma moção de censura, bastam cinco votos porque, segundo a ministra da Cultura, os sarauis “têm confiança em nós”. E acrescenta que “a lei diz que se os candidatos não são todos mulheres, pelo menos metade tem de ser.” (...)
Não houve um único caso em que depois do divórcio o homem tenha levado os filhos, no Sara Ocidental. (...)
Na maioria dos países árabes, uma mulher divorciada não tem grandes oportunidades de voltar a casar. Mas, segundo Mariam Hmada, no Sara é “ao contrário, quando uma mulher se divorcia tem mais oportunidades de se casar, porque os homens apreciam nela uma experiência.” Ainda que existam casamentos por conveniência, não é permitido casar uma mulher sem o seu consentimento, segundo as leis. (...)
Acrescenta também: “Aqui um homem nunca pode bater a uma mulher porque a sociedade o condena. E eu nunca ouvi de um caso de maus tratos desde que tenho este cargo”.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A CONDIÇÃO DA MULHER NO ISLAM

Tudo que é o outro, que não faz parte da nossa realidade mais imediata, tende a nos assustar e a ser objeto de nossa rejeição. Raríssimas vezes nos detemos nas questões que nos escapam e, por isso mesmo, fazemos julgamentos apressados, superficiais, e incorporamos conceitos sempre carregados de preconceitos, porque fundamentados na ignorância dos fatos.
Nos dias atuais, onde tantas questões polêmicas nos são colocadas diariamente, onde mal temos tempo de digerir o noticiário, tal a rapidez com que as coisas acontecem no mundo, vamos estabelecendo nossos julgamentos e entendimentos em bases que carecem de uma análise mais profunda.
Assim é com relação ao Islam, tão incompreendido, tão desconhecido. Assim é a questão da mulher no Islam, onde preconceitos e falsas informações estão disseminados de tal forma que ocupam o imaginário dos não muçulmanos, estereotipando essas mulheres, transformando-as em personagens que nunca correspondem à realidade. Tomamos para nós alguns conceitos, que passam a ser verdade, a nossa verdade, que sequer é nossa, e engrossamos o rol desta vasta legião de meros repetidores de falsas verdades, aliás, uma característica do nosso tempo. O Islam é fanatismo. O Islam é terrorismo. O Islam é atraso. O Islam oprime e submete a mulher.
Mas, o que é o Islam? Como o Islam trata realmente a questão dos sexos? Qual é o papel da mulher muçulmana numa sociedade islâmica?
Para se falar sobre a mulher no Islam, como ela é vista, qual a sua função, qual o seu papel, quais os seus direitos e deveres, torna-se necessário comparar este mesmo papel com outras culturas, outras religiões, quais os seus direitos e deveres, quais as suas conquistas, enfim, devemos considerar todos os aspectos, sejam sociais, politícos, econômicos, éticos ou morais e não, simplesmente, nos determos em aspectos culturais isolados.
Por isso, nada melhor do que enfocar a condição da mulher no Islam, levando em conta essa mesma condição no Ocidente, e, mais especificamente no Brasil, de tradições, cultura e religião tão diferentes do Oriente. No que a muçulmana é diferente da mulher ocidental? Que valores éticos, morais, sociais e religiosos regem essas duas mulheres? Que padrões comportamentais fazem essas duas mulheres tão diferentes?
Há 1400 anos, o Islam afirmou que a mulher é um ser humano, que tem uma alma da mesma natureza que a do homem, e que ambos, homens e mulheres, gozam dos mesmos direitos. No Islam, a mulher é um ser responsável e não pode ser desrespeitada ou discriminada em razão de seu sexo. No ocidente, apesar dos avanços conseguidos pelos movimentos feministas, as conquistas alcançadas não representam sequer a terça parte do que o Islam já havia garantido. Sabemos que a mulher ainda é discriminada, o maior contingente de analfabetos está na população feminina, ela é vítima da violência, que começa em casa, recebe um salário menor para o exercício de funções que ela executa em igualdade de condições com o homem, etc.
Em 1995, portanto há três anos atrás, na Quarta Conferência Mundial da Mulher, ocorrida em Pequim, os governos participantes reconheceram a péssima condição feminina e firmaram uma Declaração, onde entre outros tópicos, afirmavam o seguinte:
"Nós, os governos que participamos da Quarta Conferência Mundial da Mulher (…) estamos convencidos de que: (…) Os direitos da mulher são direitos humanos; (…) A igualdade de direitos, de oportunidades e de acesso aos recursos, à distribuição equitativa entre homens e mulheres das responsabilidades relativas à família … são indispensáveis ao seu bem-estar e ao de sua família, assim como para a consolidação da democracia. (…) A paz global, nacional e regional só pode ser alcançada com o progresso das mulheres, que são uma força fundamental de liderança, resolução de conflitos e promoção de uma paz duradoura em todos os níveis."
A diferença básica entre esses dois mundos, o oriental e o ocidental, é que o Islam, conforme revelado ao Profeta Mohammad, está pronto, bastando ser seguido por todos. O Islam dignifica o ser humano, garante direitos. Sua mensagem, ainda que dirigida inicialmente aos árabes, é universal e se aplica a todos os homens e mulheres, em qualquer lugar e em qualquer tempo. As origens do Islam são as mesmas que as das religiões anteriores e Mohammad foi o último profeta de Deus.
Deus esclarece no Alcorão que, ao longo de toda a história da humanidade, cada povo teve o seu mensageiro, em sua própria língua, em linguagem compatível com a compreensão do ser humano, anunciando a unicidade de Deus, confirmando o Dia do Juízo Final e determinando a subordinação ao que foi legislado por Ele.
Prescreveu-vos a mesma religião que tinha instituído para Noé, a qual te revelamos, a qual recomendamos a Abraão, a Moisés e Jesus (dizendo-lhes): Observai a religião e não discrepeis acerca disso.
A crença nos profetas e nos livros são artigos de fé para o muçulmano. Depois de Mohammad não haverá mais nenhum profeta e nem revelação alguma será feita.
Hoje, aperfeiçoei a religião para vós; agraciei-vos generosamente e aponto o Islam por religião.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Álbum Mulheres Árabes

Este álbum é uma coletânea de imagens de mulheres árabes. Todas as imagens para que olhemos muito além do véu. Sabemos que por trás de toda a beleza deste mundo árabe há muita opressão, no entanto reconhecer que há o terror não nos impede de celebrar a esperança de que estas mulheres conquistarão mais e mais seus direitos. De fato, porque sabemos que o
o mundo arábe não é construído pelo terrorismo e violência como amplamente divulgado pela mídia, é construído por valores como a família, a amizade, fé... infelizmente a opressão atinge aqueles que justamente querem ter a liberdade de simplesmente viver a sua individualidade e a mulher sempre teve menos voz ativa em muitas culturas.
Este acervo retratos é totalmente reflexiva. É para olhar as imagens valorizando as peculiaridades desta cultura e suas mulheres. São rostos do cotidiano, em vários países.Vocês verão que há poesia em cada uma delas, mesmo que no final de cada verso sempre haja uma lágrima ou sorriso, cada uma demonstra o quão grandiosa é essa cultura e o quão grandioso é ser mulher.


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Muslims passeando...
  

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mulheres no KSA



Tenho recebido alguns e-mail’s a pedir para falar um pouco mais sobre a situação das mulheres aqui no Reino: por isso aqui vai.
Todas as mulheres na Arábia Saudita são obrigadas a andar com a Abaya preta a cobrir o corpo sem excepção. As mulheres sauditas usam também a cabeça coberta e o véu que cobre a cara ficando apenas com os olhos descobertos. Depois as mais conservadoras ou mais religiosas (ou a sua família) usam inclusive luvas pretas e até mesmo um fino véu que lhes cobre também os olhos. As mulheres estrangeiras regra geral usam apenas as abayas e não cobrem a cabeça, mas podem ser abordadas por um muttawa que lhes obrigue a cobrir o cabelo. Não há leis excepcionais para estrangeiros, mas regra geral não é costume as mulheres ocidentais serem incomodadas da mesma forma que são as locais.
As mulheres não podem também sair à rua sem estar acompanhadas de um familiar ou do seu marido, mas hoje em dia grande parte das mulheres sauditas passam os dias nos centros comerciais em grupos apenas de mulheres. A grande maioria tem chouffer e assim alguma autonomia e independência (é o país do mundo com o maior numero de chouffer’s). Uma mulher também não pode sair do país sem uma autorização por escrito do seu responsável (marido, pai ou irmão)
No dia a dia tudo esta dividido por sexos, desde as “family sections” nos restaurantes aos também centros comerciais apenas para mulheres algumas das áreas de diversão como parques temáticos, jardim zoológicos, etc têm dias para mulheres e seus filhos e dias para homens e seus filhos, em qualquer um dos casos “single man” não são bem vindos. Os casamentos e outro tipo de festas estão sempre divididas pela zona das mulheres e a zona dos homens e em nenhum momentos se misturam.
As mulheres e homens sem relação familiar que se encontrem juntos em locais públicos podem ter problemas se forem abordados pela muttawa. Ou seja tomar café, jantar, almoçar ou passear de carro é sem duvida um risco, mas mais uma vez para nós ocidentais a probabilidade de sermos abordados é menor, mas a verdade é que o risco existe.
Os casamentos na sua maioria ainda são arranjados entre os país dos noivos, já conheci homens com casamento marcado sem nunca terem visto a mulher, falam apenas pelo telefone e podem se encontrar com elas desde que respectivas famílias também estejam presentes e elas tem a cara coberta ou não pelo véu, que mais uma vez depende do quão conservadoras são. As noivas são escolhidas por serem de uma classe social equivalente e dependendo das possibilidades económicas do noivo.
De todos os países árabes a arábia saudita é a que tem mais poligamia sendo muito normal que um homem tenha varias mulheres, na teoria o limite é de 4 mas podem se divorciar desde que o homem assuma a obrigação de continuar a manter a ex-mulher e seus filhos com o mesmo nível de vida. A média de filhos por casal é também a mais alta do mundo de 5,7 filhos e é normal haver homens com entre 10 a 20 filhos.
No aeroporto as mulheres sozinhas que entram no país são direccionadas para uma sala onde ficam há espera que o seu responsável a venha buscar e só pode sair das sala quando estiver devidamente coberta pela abaya. Há alguma dificuldade em conseguir vistos para mulheres solteiras por isso muitos dos ocidentais que querem trazer ou receber visitas das suas namoradas tem que se casar para elas poderem viver cá ou mesmo passar temporadas.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

No Islam, a mulher não é produto do diabo ou a semente do mal. No Islam, o homem não ocupa o lugar de senhor absoluto da mulher, que, sem outra alternativa, tem que se render ao seu domínio. No Islam só nos submetemos a Deus e só a Ele nos rendemos e prestamos contas. No Islam, ao contrário de outras crenças e sistemas religiosos, a mulher tem alma e é dotada de qualidades espirituais. O Islam não considera Eva a única responsável pelo pecado original de toda a humanidade e, por consequência, pelo sacrifício na cruz do filho de Deus para redimir a humanidade do pecado original. O Alcorão esclarece que tanto Adão como Eva erraram, ambos foram tentados, ambos pecaram e ambos foram perdoados por Deus após o manifesto arrependimento.
A mulher é reconhecida no Islam como a parceira completa do homem e igual a ele na procriação da humanidade. Ele é o pai e ela é a mãe e ambos são essenciais para vida. O papel da mulher não é menos vital do que o do homem. Nesta parceria as partes são iguais em cada aspecto, têm direitos e responsabilidades iguais e são dotadas das mesmas qualidades, seja homem ou mulher.
No Islam, a mulher se iguala ao homem ao ser responsável por seus atos. Ela possui uma personalidade independente, dotada de qualidades humanas e digna de aspirações espirituais. Sua natureza humana não é nem inferior nem superior à do homem. Homens e mulheres têm as mesmas obrigações e responsabilidades sociais, morais e religiosas e devem enfrentar a consequência de seus atos.
Aqueles que praticarem o bem, sejam homens ou mulheres, e forem fiéis, entrarão no Paraíso e não serão defraudados, no mínimo que seja. (Cap. 4:124)
No Islam, a mulher é independente economicamente, uma vez que ela pode ser proprietária, com direito a administrar seus bens e ninguém, pai, marido ou irmão, tem ingerência no trato de questões financeiras.
Tudo que é o outro, que não faz parte da nossa realidade mais imediata, tende a nos assustar e a ser objeto de nossa rejeição. Raríssimas vezes nos detemos nas questões que nos escapam e, por isso mesmo, fazemos julgamentos apressados, superficiais, e incorporamos conceitos sempre carregados de preconceitos, porque fundamentados na ignorância dos fatos.
Nos dias atuais, onde tantas questões polêmicas nos são colocadas diariamente, onde mal temos tempo de digerir o noticiário, tal a rapidez com que as coisas acontecem no mundo, vamos estabelecendo nossos julgamentos e entendimentos em bases que carecem de uma análise mais profunda.
Assim é com relação ao Islam, tão incompreendido, tão desconhecido. Assim é a questão da mulher no Islam, onde preconceitos e falsas informações estão disseminados de tal forma que ocupam o imaginário dos não muçulmanos, estereotipando essas mulheres, transformando-as em personagens que nunca correspondem à realidade. Tomamos para nós alguns conceitos, que passam a ser verdade, a nossa verdade, que sequer é nossa, e engrossamos o rol desta vasta legião de meros repetidores de falsas verdades, aliás, uma característica do nosso tempo. O Islam é fanatismo. O Islam é terrorismo. O Islam é atraso. O Islam oprime e submete a mulher.
Mas, o que é o Islam? Como o Islam trata realmente a questão dos sexos? Qual é o papel da mulher muçulmana numa sociedade islâmica?
Para se falar sobre a mulher no Islam, como ela é vista, qual a sua função, qual o seu papel, quais os seus direitos e deveres, torna-se necessário comparar este mesmo papel com outras culturas, outras religiões, quais os seus direitos e deveres, quais as suas conquistas, enfim, devemos considerar todos os aspectos, sejam sociais, politícos, econômicos, éticos ou morais e não, simplesmente, nos determos em aspectos culturais isolados.
Por isso, nada melhor do que enfocar a condição da mulher no Islam, levando em conta essa mesma condição no Ocidente, e, mais especificamente no Brasil, de tradições, cultura e religião tão diferentes do Oriente. No que a muçulmana é diferente da mulher ocidental? Que valores éticos, morais, sociais e religiosos regem essas duas mulheres? Que padrões comportamentais fazem essas duas mulheres tão diferentes?
Há 1400 anos, o Islam afirmou que a mulher é um ser humano, que tem uma alma da mesma natureza que a do homem, e que ambos, homens e mulheres, gozam dos mesmos direitos. No Islam, a mulher é um ser responsável e não pode ser desrespeitada ou discriminada em razão de seu sexo. No ocidente, apesar dos avanços conseguidos pelos movimentos feministas, as conquistas alcançadas não representam sequer a terça parte do que o Islam já havia garantido. Sabemos que a mulher ainda é discriminada, o maior contingente de analfabetos está na população feminina, ela é vítima da violência, que começa em casa, recebe um salário menor para o exercício de funções que ela executa em igualdade de condições com o homem, etc.
Em 1995, portanto há três anos atrás, na Quarta Conferência Mundial da Mulher, ocorrida em Pequim, os governos participantes reconheceram a péssima condição feminina e firmaram uma Declaração, onde entre outros tópicos, afirmavam o seguinte:

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A cultura árabe é muito antiga e por isso mesmo, muito rica. Seja no campo da arquitetura, medicina ou matemática os árabes contribuiram muito para a evolução da humanidade.
Souad. Mas tempos atrás eu li um livro chamado “Queimada Viva”¹ que fazia um relato baseado em fatos reais sobre a vida trágica da jovem Souad, que aos 17 anos engravidou antes do casamento e por isso mesmo, foi sentenciada (pela familia) a ser queimada viva. Seu cunhado executou a sentença, e ela por sorte foi socorrida pelos vizinhos e sobreviveu com queimaduras severas pelo corpo. E o pior da história, é que a vizinhança, a sociedade, o governo e o mundo árabe em sí é indiferente a fatos como este. A moral é ‘defendida’ a todo custo e julgamentos e execuções familiares como este não sofrem interferencia da justiça, pois eles entendem que problemas de familia devem ser resolvidos pela familia.
Ou seja, no mundo árabe seria natural queimar ou apedrejar mulheres “pecadoras”. E às vezes nem precisa ser pecadora, basta nascer mulher: Souad descreve no livro, o momento em que percebeu que sua mãe assassinava as crianças que dava à luz, momentos depois do parto simplesmente por terem nascido meninas. Seu irmão, ao contrário, era criado cheio de mimos e cuidados e recebeu treinamento (não educação) para ser um homem violento e sanguinário como aqueles de sua familia.
Cultura vs. Crime
Todos devem concordar que os costumes e a cultura de um país ou de uma etnia devem ser respeitados. Mas neste caso, onde acaba a cultura e começa o crime? E este ‘costume’ de massacrar mulheres é tão forte, que as próprias mulheres participam e delatam outras mulheres para que estas sejam punidas. E mesmo em paises árabes mais liberais e modernos como o Kwuait e Qatar, o machismo ainda é violento e um tabú escondido debaixo do tapete.

Enquanto isso, no ocidente…
Mas quem somos nós para criticar? Já que aqui no ocidente, a liberdade excessiva criou uma sociedade libertina? Enquanto os árabes impõem a moral a ferro e fogo, nós ocidentais vivemos numa sociedade cada vez mais libertina e cheia de liberdades. Estes dias eu voltava do trabalho e passei por um carro que estava com o teto solar aberto e três garotas menores de idade dançavam vulgarmente para fora do carro ao som de um fank totalmente obseno e imoral…isso tudo acontecendo a uns 50 metros de uma procissão religiosa que celebrava o Corpus Christi. Fato impensável lá na terra dos árabes que não admitiriam jamais que o islã fosse desrespeitados desta forma.
Não sei o que é pior: a violência oriental ou a  total falta de moral ocidental. Mas de qualquer forma, as mulheres árabes merecem um pouco mais de respeito.
Melhorar a imagem da mulher árabe nos media e apoiar as que vivem na diáspora foram duas iniciativas lançadas pela 'Mãe da Nação' durante a II Conferência da Organização das Mulheres Árabes. Durante três dias, em Abu Dhabi, foram ouvidas denúncias e várias críticas, mas também se notou a disposição para valorizar a acção feminina
"Enquanto houver um sopro de vida no meu corpo, continuarei a lutar para concretizar o meu sonho: que todos, no mundo árabe, sejam capazes de ler e escrever." Assinada pela xeque Fatima bint Mubarak, a frase - inscrita num cartaz colocado no hall do Emirates Palace, em Abu Dhabi - era uma espécie de boas vindas, e mote, aos participantes na conferência sobre a Mulher no conceito da Segurança Humana.
Durante três dias, no ambiente climatizado do hotel de sete estrelas da capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU), centenas de académicos, intelectuais, activistas de direitos humanos, diplomatas - árabes e ocidentais, homens e mulheres - analisaram a situação e o papel da mulher na sociedade árabe, as dificuldades com que se confronta e os esforços que desenvolve para se afirmar.
Denúncias de situações e exigências para que sejam alteradas constaram também dos seis painéis que debateram temas tão amplos como a saúde, cultura, clima, conflitos armados, segurança, defesa e desemprego. Isto sem esquecer que a tradição é algo que não pode ser escamoteado.
Por exemplo, várias foram as vozes que se insurgiram com o facto de haver países árabes que gastam mais dinheiro em armas e com o exército do que com a educação e a saúde. Uma mulher, a quem os cidadãos do jovem país chamam de "Mãe da Nação" - Fatima Bint Mubarak, a viúva do xeque Zayad - , é a presidente da Organização das Mulheres Árabes e a força motriz da organização da conferência.
Com a abaia negra a cobrir-lhe o corpo, o véu a tapar-lhe os cabelos e a máscara cinzento-prateado de beduína a iludir-lhe o rosto, a xeque Fatima bint Mubarak, que presidiu à abertura e encerramento da reunião, era bem a imagem de quem respeita a tradição mas nem por isso deixa de lutar pela libertação e afirmação da mulher na sociedade.
Graças à acção da "Mãe da Nação" e do príncipe herdeiro, "90% das mulheres" do seu país sabem ler e escrever, como revelaria Nedal Mohamed al Tenaiji, uma das organizadoras da conferência e membro do Conselho Nacional, e são ainda mulheres 75% dos estudantes matriculados nas universidades do país. A educação feminina, que a responsável dos emirados defende de forma tão determinada, é uma exigência incontornável: uma mulher "educada e informada" pode melhor defender-se da violência social e familiar, sabe os direitos que tem e a forma de os fazer valer, pode desempenhar a profissão que mais deseja. E, ao conseguir a sua segurança, acaba por contribuir para a segurança humana, conceito lançado pela ONU em 2000 mas que é cego quanto a género.
Curiosamente, a voz mais crítica da tradição foi a de um homem. "Precisamos de marginalizar definições religiosas ultra-conservadoras do papel da mulher, reinterpretar textos religiosos para que não tenhamos fatwas [decreto religioso] ridículas", declarou Bahgar Korani, presidente do comité científico da conferência e professor de relações internacionais na universidade do Cairo, defendendo a educação da mulher mas também o seu acesso a todas as profissões.|

A civilização árabe esteve marcada pelo processo de expansão da religião islâmica.

Por Rainer Sousa

Os árabes têm a sua história vinculada ao espaço da Península Arábica, onde primordialmente se fixaram em uma região tomada por vários desertos que dificultavam a criação de povos sedentarizados. Por isso, percebemos que no início de sua trajetória, os árabes eram povos de feição nômade que se intercalavam entre as regiões desérticas e os valiosos oásis presentes ao longo deste território.
Conhecidos como beduínos, essa parcela do povo árabe era conhecida pela sua religião politeísta e a criação de animais. A realidade dos beduínos era bem diferente da que poderíamos ver nas porções litorâneas da Península Arábica. Neste outro lado da Arábia, temos a existência de centros urbanos e a consolidação de uma economia agrícola mais complexa. Entre as cidades da região se destacava Meca, grande centro comercial e religioso dos árabes.
Regularmente, os árabes se deslocavam para cidade de Meca a fim de prestar homenagens e sacrifícios às várias divindades presentes naquele local. Entre outros signos sagrados, destacamos o vale da Mina, o monte Arafat, o poço sagrado de Zen-Zen e a Caaba, principal templo sagrado onde era abrigada a Pedra Negra, um fragmento de meteorito de forma cúbica protegido por uma enorme tenda de seda preta.
A atração de motivo religioso também possibilitava a realização de grandes negócios, que acabaram formando uma rica classe de comerciantes em Meca. Nos fins do século VI, essa configuração do mundo árabe sofreu importantes transformações com o aparecimento de Maomé, um jovem e habilidoso caravaneiro que circulou várias regiões do Oriente durante suas atividades comerciais.
Nesse tempo, entrou em contato com diferentes povos e, supostamente, teria percebido as várias singularidades que marcam a crença monoteísta dos cristãos e judeus. Em 610, ele provocou uma grande reviravolta em sua vida ao acreditar que teria de cumprir uma missão espiritual revelada pelo anjo Gabriel, durante um sonho. A partir de então, se tornou o profeta de Alá, o único deus verdadeiro.
O sucesso de sua atividade de pregação acabou estabelecendo a conquista de novos adeptos ao islamismo. A experiência religiosa inédita soou como uma enorme ameaça aos comerciantes de Meca, que acreditavam que o comércio gerado pelas peregrinações politeístas seria aniquilado por essa nova confissão. Com isso, Maomé e seu crescente número de seguidores foram perseguidos nas proximidades de Meca.
Acuado, o profeta Maomé resolveu se refugiar na cidade de Yatreb, onde conquistou uma significativa leva de convertidos que pressionaram militarmente os comerciantes de Meca. Percebendo que não possuíam alternativas, os comerciantes decidiram reconhecer a autoridade religiosa de Maomé, que se comprometera a preservar as divindades milenares da cidade de Meca.
A partir desse momento, os árabes foram maciçamente convertidos ao ideário do islamismo e vivenciaram uma nova fase em sua trajetória. Entre os séculos VII e VIII, os islâmicos estabeleceram um processo de expansão que difundiu sua crença em várias regiões do norte da África, da Península Ibérica e em algumas parcelas do mundo oriental.
Os árabes são os integrantes de um povo heterogêneo que habita principalmente o Oriente Médio e a África setentrional, originário da península Arábica constituída por regiões desérticas. As dificuldades de plantio e criação de animais fizeram com que seus habitantes se tornassem nômades, vagando pelo deserto em caravanas, em busca de água e de melhores condições de vida. A essas tribos do deserto dá-se o nome de beduínos.
Existem três fatores que podem ajudar, em graus diversos, na determinação se um indivíduo é considerado árabe ou não:
A importância relativa desses fatores é estimada diferentemente por diferentes grupos. Muitas pessoas que se consideram árabes o fazem com base na sobreposição da definição política e linguística, mas alguns membros de grupos que preenchem os dois critérios rejeitam essa identidade com base na definição genealógica. Não há muitas pessoas que se consideram árabes com base na definição política sem a linguística — assim, os curdos ou os berberes geralmente se identificam como não-árabes — mas alguns sim, por exemplo, alguns Berberes consideram-se Árabes e nacionalistas árabes consideram os Curdos como Árabes.
Segundo Habib Hassan Touma,[1] "A essência da cultura árabe envolve:
E assim, "Um árabe, no sentido moderno da palavra, é alguém que é cidadão de um estado árabe, conhece a língua árabe e possui um conhecimento básico da tradição árabe, isto é, dos usos, costumes e sistemas políticos e sociais da cultura."
Quando da sua formação em 1946, a Liga Árabe assim definiu um árabe
"Um árabe é uma pessoa cuja língua é o árabe, que vive em um país de língua árabe e que tem simpatia com as aspirações dos povos de língua árabe."
A definição genealógica foi largamente utilizada durante a Idade Média (Ibn Khaldun, por exemplo, não utiliza a palavra Árabe para se referir aos povos "arabizados", mas somente àqueles de ascendência arábica original), mas não é mais geralmente considerada particularmente significativa.
Embora pratiquem ou se interessem por outras religiões como o espiritismo e o candomblé, o árabe é essencialmente formado por muçulmanos, judeus e cristãos. Nesse sentido, a maior parte dos árabes, são seguidores do islã, religião surgida na Península Arábica no século VII e que se vê como uma restauração do monoteísmo original de Abraão que para eles, estaria corrompido pelo judaísmo e cristianismo. Os árabes cristãos são também muito numerosos; nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de dois terços dos Árabes, particularmente os imigrantes da Síria, da Palestina e Líbano. No Brasil, Argentina, Chile, Venezuela e Colômbia a proporção de cristãos entre os imigrantes árabes é ainda maior mas só recentemente nesses países que a população islâmica evoluiu, sem necessariamente serem muçulmanos árabes. De modo geral todos os imigrantes espalhados pelo mundo "judeus ou cristãos" são uma consequência longínqua dos efeitos das cruzadas.
Durante os séculos VIII e IX, os árabes (especificamente os Omíadas, e mais tarde os Abássidas) construíram um império cujas fronteiras iam até o sul da França no oeste, China no leste, Ásia menor no norte e Sudão no sul. Este foi um dos maiores impérios terrestres da História. Através da maior parte dessa área, os Árabes espalharam a religião do Islã e a língua árabe (a língua do Qur'an) através da conversão e assimilação, respectivamente. Muitos grupos terminaram por ser conhecidos como "árabes" não pela ascendência, mas sim pela arabização. Assim, com o tempo, o termo "árabe" acabou tendo um significado mais largo do que o termo étnico original. Muitos Árabes do Sudão, Marrocos, Argélia e outros lugares tornaram-se árabes através da difusão cultural.
O nacionalismo árabe declara que os árabes estão unidos por uma história, cultura e língua comuns. Os nacionalistas árabes acreditam que a identidade árabe engloba mais do que características físicas, raça ou religião. Uma ideologia similar, o pan-arabismo, prega a união de todas as "terras árabes" em um Estado único. Nem todos os Árabes concordam com essas definições; os Maronitas libaneses, por exemplo, rejeitam geralmente a etiqueta "árabe" em favor de um nacionalismo maronita mais estreito, transformando o cristianismo que professam em sinal de diferença em relação aos muçulmanos que se consideram árabes (embora, em outros casos, o cristianismo seja o contrário; valor imutavelmente ligado à identidade árabe, a qual transcende a religião, sem negá-la, como é o dos melquitas, cujo Patriarca, Gregório III Laham, afirma "Nós somos a Igreja do Islam").

Genealogia tradicional

Nas tradições islâmica e judia, os árabes são um povo semita que tem sua ascendência de Ismael, um dos filhos do antigo patriarca Abraão. Genealogistas árabes medievais dividiram os árabes em dois grupos:
  • os "árabes " do sul da Arábia, descendentes de Qahtan (identificados com o Joktan bíblico). Supõe-se que os Qahtanitas migraram do Iêmen após a destruição da barragem de Ma'rib (Sad Ma'rib). Os árabes qahtanitas foram os responsáveis pelas antigas civilizações do Iêmen, incluindo o renomado Sheba bíblico (um descendente de Qahtan).
  • Os "árabes " (musta`ribah) do norte da Arábia, descendentes de Adnan, este supostamente descendente de Ismael via Kedar. A língua árabe, como ela é falada hoje na sua forma qurânica clássica, foi o resultado de uma mistura entre a língua árabe original de Qahtan e o árabe setentrional, que assimilara palavras de outras línguas semíticas do Levante.
Árabes e seus descendentes tem predominantemente belos cabelos lisos, grossos e escuros, e costumam ter mais pelos do que descendentes de europeus, orientais e muitos povos africanos. Por isso muitos têm as sobrancelhas um pouco grossas. Também tem olhos castanhos, e pele mais morena; porém também existem descendentes de arábes brancos, mas são menos brancos que descentes de europeus, a não ser que também seja descendente de povos europeus como italianos ou alemães.

O termo "árabe" na História

Os árabes são mencionados pela primeira vez em uma inscrição assíria de 853 a.C., onde Shalmaneser III menciona um rei Gindibu de matu arbaai (terra árabe) como estando entre as pessoas que ele derrotou na batalha de Karkar.

O significado do termo "árabe"

Segundo uma explicação, a palavra "árabe" significa "claro"; claro como em compreensível, não como em puro. Os idosos beduínos ainda utilizam esse termo com o mesmo significado; àqueles cuja língua eles compreendem (p. ex., falantes árabes) eles chamam árabe, e àqueles cuja língua é desconhecida deles eles chamam ajam (ajam ou ajami). Na região do Golfo pérsico, o termo ajam é frequentemente empregado para se referir aos persas.
Outra explicação deriva a palavra Árabe de uma outra linha: `.R.B., com uma alternativa metastática `.B.R., ambas significando viajando pelas terras, isto é, nômade. Desta raiz derivam os termos árabe e hebreu, significando nômades.